Em Planaltina, Goiás, uma iniciativa emocionante vem transformando a forma como a Igreja acolhe crianças autistas. O padre Everton dos Santos Borges, da Paróquia Imaculado Coração de Maria, criou turmas inclusivas de batismo e catequese voltadas especialmente para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Tudo se iniciou a partir do apelo de uma mãe que sonhava em ver sua filha batizada. No entanto, ela enfrentava dificuldades devido ao comportamento mais agitado da criança.
Sensível à situação, o padre não apenas realizou o batismo adaptado, mas enxergou ali uma oportunidade de fazer ainda mais.
Acolhimento com empatia
Durante as celebrações, o padre faz questão de perguntar às crianças como preferem receber o sacramento — seja com muita, pouca ou apenas algumas gotas de água.
Esse cuidado especial com o toque, a comunicação e o ambiente respeita as necessidades sensoriais das crianças neurodivergentes.
“É fundamental explicar tudo com antecedência, perguntar como a criança se sente mais confortável e agir com delicadeza”, destaca o padre.
Maria Josélia, mãe de Jorge, um adolescente de 14 anos com autismo, conta que tentou por anos batizá-lo. Porém, nunca encontrou quem acolhesse a realidade do filho. “
“Era um sonho. E graças a Deus, consegui realizá-lo com o apoio do padre”, disse emocionada.
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Padre também é neurodivergente
Ao se aproximar das crianças com autismo, o padre Everton começou a refletir sobre suas próprias vivências. Dessa maneira, decidiu buscar uma avaliação médica.
A partir disso, o padre descobriu o seu diagnóstico de autismo e TDAH. A descoberta fortaleceu ainda mais seu compromisso com a inclusão dentro da Igreja.
“Hoje vejo que Deus me chamou para essa missão. Quero que essa ideia se espalhe por todo o Brasil e que outras paróquias também abracem essa causa”, afirma.
O projeto, que começou com apenas três crianças no final de 2024, já conta com mais de 20 catequizandos e continua crescendo. A proposta é criar um espaço de fé onde cada criança possa aprender e vivenciar a religião no seu tempo e do seu jeito.
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Inclusão na igreja: Um exemplo a ser seguido
A ação do padre Everton vai ao encontro das diretrizes do Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, celebrado em 2 de abril. A data, reconhecida pela ONU desde 2007 e instituída no Brasil em 2018, busca promover empatia, respeito e inclusão de pessoas com TEA.
Em um cenário onde a sociedade ainda dá passos tímidos em direção à inclusão plena, a atitude do padre de Planaltina mostra que a transformação começa com pequenas atitudes e muito amor ao próximo.
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Imagem de Capa: Padre Everton dos Santos Borges