O setor de apostas online pode crescer no Brasil, especialmente após a regulamentação efetiva realizada pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), ligada ao Ministério da Fazenda. Levantamento do site Aposta Legal em janeiro de 2025, primeiro mês do mercado regulado, apontou que as bets tiveram o dobro de acessos no país em comparação com o mês anterior.

Ao mesmo tempo, a popularização de jogos como o Fortune Tiger, conhecido como “jogo do tigrinho”, que conquistou o topo das preferências em casas de apostas como a KTO durante 2024, aumentou a preocupação com a proteção dos jogadores contra riscos financeiros e de saúde mental.

Embora o “jogo do tigrinho” tenha certificado de legitimidade, sua enorme popularidade também atraiu criminosos que o utilizam em golpes e esquemas fraudulentos. Essa situação chamou a atenção das autoridades, resultando em um escrutínio ainda mais rígido sobre práticas comerciais e promocionais de casas de apostas.

O objetivo foi diferenciar claramente operadores legítimos daqueles que não zelam pelo bem-estar de seus usuários. Nas palavras de André Gelfi, diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), foi “tempo de separar o joio do trigo no setor de apostas”.

“Jogo do tigrinho” dominou as apostas

Os dados do último ano divulgados pela bet KTO mostram que o Fortune Tiger, popularmente conhecido no Brasil como “jogo do tigrinho“, dominou as apostas na casa, mantendo-se consistentemente como o jogo mais popular entre abril e dezembro de 2024.
O slot liderou em termos de popularidade no ano, com cerca de 59% dos usuários experimentando o “jogo do tigrinho” em 2024. O título também teve a maior média de rodadas disputadas no período, superando o Fortune Rabbit por uma pequena diferença: 15,9% contra 15,3% do total de apostas realizadas.

Diante desse cenário, é importante que os próprios jogadores adotem práticas de jogo responsável para evitar problemas futuros. Algumas recomendações fundamentais incluem estabelecer um orçamento claro e respeitá-lo, definir limites de tempo para as sessões de jogo, evitar decisões impulsivas motivadas por perdas consecutivas e aproveitar os recursos de proteção disponibilizados por casas de apostas autorizadas.

Proatividade nas práticas de jogo responsável

Como resposta às polêmicas com o “jogo do tigrinho”, o governo brasileiro intensificou os esforços para regulamentação do setor, adotando uma série de medidas rigorosas para garantir que as empresas do setor sejam proativas na implementação de práticas de jogo responsável.

O secretário da SPA, Régis Dudena, esclareceu em entrevista ao UOL que o objetivo principal é proteger o consumidor e assegurar que a experiência de jogo permaneça saudável.

“Na portaria de jogo responsável, há uma série de medidas fundamentadas no princípio do ‘conheça seu cliente’”, explicou Dudena. A partir disso, as casas de apostas devem realizar um monitoramento ativo do tempo gasto pelos usuários e das quantias investidas. Os dados são também compartilhados com a SPA.

Através de algoritmos avançados, as empresas conseguem identificar perfis distintos de apostadores, lançando alertas personalizados caso haja comportamentos incomuns, como gastos excessivos ou longas sessões de jogo.

“Se o apostador ou a apostadora começar a se dispor mais tempo do que aquele perfil que ele identificou previamente, ele tem que lançar um alerta”, detalhou Dudena. “Passado mais tempo ou gastando mais dinheiro, ele gera uma pausa obrigatória. Então, ele diz, ó, vamos lá fora tomar uma água? Porque você tá há muito tempo aqui, você não vai poder mais. E no limite, ele pode chegar à exclusão deste apostador também. Isso tudo já está previsto”.

Importância de escolher operadores autorizados

Além disso, ele destacou a importância de escolher operadores autorizados, que oferecem garantias sólidas de proteção aos consumidores. Até o momento, os dados compartilhados com o Ministério da Fazenda sugerem que os maiores problemas de perdas relacionados ao “jogo do tigrinho” não acontecem nas empresas regularizadas, mas nas plataformas ilegais.

O secretário ressaltou ainda que o governo não hesitará em implementar ajustes adicionais caso sejam necessários. “Em geral, os nossos resultados até agora, que ainda são muito incipientes, muito no início, mas parece que os controles estão surtindo efeito. Mas se não tiverem, a gente vai avançar, a gente vai fazer o que for necessário para fazer com que a proteção, sobretudo dos apostadores e da economia popular, se dê”, assegurou Dudena.

Como parte dessas iniciativas, a SPA está desenvolvendo campanhas educativas em parceria com o Ministério da Saúde e outras entidades governamentais para ampliar o alcance das informações sobre saúde mental e financeira associadas ao jogo. As medidas incluem disponibilizar testes de saúde e testes de endividamento, para que os próprios apostadores consigam se conscientizar dos perigos do jogo patológico e verificar a sua situação.

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